May 12, 2010

os trinta

Pelo que tenho visto, a entrada nos trinta é um tema em alta aqui pela blogoesfera, especialmente porque a maioria das meninas "bloggueiras" ou ainda não os atingiram, ou estão prestes a fazê-lo e os trinta são - quer se queira, quer não - um marco em termos de idade.
Começo logo pelo aviso que, como todos os outros que já vieram ou hão de vir, este post baseia-se somente na minha experiência pessoal e nas minhas opiniões, não sendo em nada comprovado por quaisquer factos científicos... Talvez por uns quantos literários, como é o caso de Balzac, sobejamente conhecido, dissecado e citado, mas que pespego aqui mais uma vez, por achar delicioso, e o enquadramento perfeito para o que quero dizer em seguida. :)
«Uma mulher de trinta anos tem atractivos irresistíveis para um rapaz... Com efeito, uma jovem tem ilusões, muita inexperiência, e o sexo é bastante cúmplice do amor... Ao passo que uma mulher conhece toda a extensão dos sacrifícios que tem a fazer. Lá onde uma é arrastada pela curiosidade, por seduções estranhas à do amor, a outra obedece a um sentimento consciente. Uma cede, a outra escolhe... Dando-se, a mulher experiente parece dar mais do que ela mesma, ao passo que a jovem, ignorante e crédula, nada sabendo, nada pode compara nem apreciar... Uma nos instrui, nos aconselha... A outra quer tudo aprender... Para que uma jovem seja amante é preciso ser muito corrompida, e então é abandonada com horror, enquanto uma mulher possui mil modos de conservar a um tempo o seu poder e a sua dignidade... A jovem acredita ter dito tudo despindo o vestido; mas uma mulher esconde-se sob mil véus... Afaga todas as vaidades... Chegando a essa idade, a mulher sabe consolar em mil ocasiões em que a jovem só sabe gemer. Enfim, além de todas as vantagens da sua posição, a mulher de trinta anos pode fazer-se jovem, desempenhar todos os papéis, ser púdica e até embelezar-se com a desgraça.» - Honoré de Balzac in A mulher de trinta anos
Eu passei esse marco há três anos e, apesar de nunca lhe ter dado grande importância - ou devo dizer, a devida importância? - o que é certo e que houve muito em mim que mudou, e isso acabou por ter um reflexo em todas as minhas relações com os outros. Deixei de ter medo de me "dar" aos outros e de me abrir a novas relações, e tenho a perfeita noção que, só por isso, me tornei uma pessoa muito mais comunicativa, bem disposta e alegre.
Pessoalmente, senti a diferença especialmente ao nível físico. A sensação que tenho é que, de repente, houve algo que fez clic, e eu acordei a perceber como é que todo o meu corpo funciona, e cheia de vontade de o levar para uns test-drives e para fazer a rodagem... ;) Como diz uma amiga, as «travessias no deserto» custam, mas "ler os sinais" dos homens - se é que existem?? -, perceber o que eles querem, ou saber como abordá-los, também é tarefa que hoje me parece bem mais simples. No fundo, acho que o que os trinta me trouxeram foi toda a auto-confiança e o auto-conhecimento que me faltou durante os vintes, e isso pode ser perigoso...

3 comments:

Vera said...

quis ter um filho aos vinte. não tive. achei que era um marco importante. hoje em dia com 27 tenho a certeza que o marco mesmo importante são os 30, mesmo que faça curvas mais perigosas!!e adorei a tua reflexão!

Big kiss

Rapunzel said...

Só não concordo com isto "perceber o que eles querem, ou saber como abordá-los, também é tarefa que hoje me parece bem mais simples"... eu acho que os homens estão a tornar-se cada vez mais complicados, ou então sou eu que estou cada vez mais simples...

Pandora said...

Vera: Eu tive os meus dois pequenitos ainda nos vintes, mas tenho a perfeita noção que hoje em dia a minha relação com eles é muito diferente, e mais o seria se os tivesse tido agora. Mas são opções que se fazem, e não me arrependo de nada - muito menos dos meus tesouros! ;)

Rapunzel: Talvez mesmo por nós mesmas sermos/nos sentirmos simplificadas, as coisas (ou eles?) fiquem mais simples, porque são sempre as complicações e os jogos que complicam tudo... Será que estou a fazer sentido?? :P No fundo, se formos nós mesma, não há como errar... Acho... :)